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“Poderemos ter alguns trimestres difíceis”. Maus resultados da Tesla continuam

Carro elétrico Tesla cinzento prateado numa exposição moderna com edifícios ao fundo.

Apesar de Elon Musk se ter afastado do palco político no segundo trimestre de 2025, os números da Tesla continuam a evidenciar um período particularmente exigente para o construtor.

Tesla no segundo trimestre de 2025: um trimestre difícil num ano complicado

Até agora, 2025 não tem sido o ano da Tesla. Os resultados relativos a abril a junho mostram um recuo generalizado face ao mesmo período de 2024, com quedas nas vendas, receitas, lucros e margens.

Vendas em queda e pressão nas entregas de veículos

No total, a Tesla vendeu 384 122 veículos no segundo trimestre, o que representa menos 13% do que no segundo trimestre do ano anterior.

  • Model 3 e Model Y: mais de 373 mil unidades vendidas; a procura recuou 12% em termos homólogos.
  • Model S, Model X e Cybertruck: as vendas afundaram 52%.

Esta quebra nas entregas de veículos ajudou a agravar a pressão sobre as margens e a evolução das receitas no trimestre.

Receita em queda, margem operacional sob pressão

A receita totalizou 22,5 mil milhões de dólares (cerca de 19 mil milhões de euros) no segundo trimestre de 2025, traduzindo uma descida de 12% face ao período homólogo.

O principal travão esteve na área automóvel: as receitas das vendas de automóveis recuaram 16%, para 16,6 mil milhões de dólares (cerca de 14 mil milhões de euros).

A margem operacional fixou-se em 4,1%. Apesar de ser uma melhoria de dois pontos percentuais face ao trimestre anterior (2,1%), continua significativamente abaixo dos 6,3% registados no segundo trimestre de 2024.

Segundo a empresa, este recuo é explicado sobretudo por três fatores:

  • Menor contribuição da venda de créditos de emissões, que desceu de 890 milhões para 439 milhões de dólares
  • Subida das despesas operacionais
  • Redução nas entregas de veículos

Lucros recuam face a 2024, mas recuperam em relação ao primeiro trimestre

No capítulo dos lucros, a Tesla reportou 1,2 mil milhões de dólares (cerca de mil milhões de euros) entre abril e junho, uma queda de 16% face ao mesmo período de 2024. No ano anterior, a empresa tinha apresentado 1,4 mil milhões de dólares (cerca de 1,1 mil milhões de euros) de lucro.

Ainda assim, a comparação com o primeiro trimestre de 2025 é mais favorável: o resultado líquido passou de 409 milhões de dólares (cerca de 347 milhões de euros) entre janeiro e março para os referidos 1,2 mil milhões de dólares no segundo trimestre.

Ações recuam após resultados e Elon Musk admite trimestres difíceis

A reação do mercado foi imediata após a divulgação dos resultados a 23 de julho: as ações da Tesla caíram quase 10% em 10 minutos. À data de publicação deste texto, mantinham-se 8,5% abaixo do valor anterior ao anúncio.

Durante a apresentação aos investidores, Elon Musk não escondeu o risco de continuidade da pressão: “Provavelmente poderemos ter alguns trimestres difíceis pela frente”, afirmou.

O contexto do mercado também não ajuda

Para além dos fatores internos, a Tesla enfrenta um ambiente mais competitivo e sensível ao preço, com maior pressão de outros fabricantes de veículos elétricos e consumidores mais cautelosos em vários mercados. A combinação entre ajustamentos de preços, custos operacionais e dinâmica de procura pode continuar a influenciar a margem operacional e o desempenho trimestral.

Ao mesmo tempo, a volatilidade em torno de tecnologias de condução assistida e a necessidade de validação regulatória tendem a prolongar a incerteza sobre o ritmo de crescimento de algumas das apostas mais ambiciosas da empresa.

Novidades para o resto do ano

Apesar do cenário, a Tesla aponta para desenvolvimentos importantes nos próximos meses. A marca indica que a produção das primeiras unidades pré-série de um novo modelo mais acessível começou em junho, com a produção em série prevista ainda para este ano.

Em paralelo, o projeto de táxi-robô Cybercab continua a avançar, com a empresa a apontar o arranque da produção em série para 2026. Recorde-se que a Tesla lançou recentemente, em Austin, no Texas, o seu primeiro serviço de táxis-robô, com uma frota de Model Y equipada com o sistema FSD (sigla usada pela marca para Condução Totalmente Autónoma).

Europa: FSD à espera de aprovação regulatória

Para a Europa, o construtor afirma esperar disponibilizar esta tecnologia ainda este ano, mas sublinha que o calendário depende da aprovação das autoridades reguladoras.

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