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A Netflix quer que ouça podcasts entre séries.

Pessoa deitada no sofá com auscultadores, a ver Netflix na TV e a segurar um smartphone com aplicação de música.

A Netflix estará a preparar uma estratégia particularmente agressiva para se afirmar no formato podcast e, assim, aumentar o tempo que os assinantes passam dentro da aplicação. Para lá do acordo já anunciado com o Spotify, a plataforma de SVOD terá também em vista a criação de várias dezenas de conteúdos de áudio e podcasts vídeo produzidos internamente.

Depois de expandir o seu ecossistema com filmes, séries e até jogos, a Netflix quer agora marcar presença no universo dos podcasts. Em outubro, a empresa oficializou uma parceria com o Spotify que lhe permite disponibilizar, dentro da sua aplicação, alguns podcasts provenientes do serviço de streaming.

Tudo indica, no entanto, que este será apenas o primeiro passo. Circulam rumores de que a Netflix estará em conversações com grupos de media como a iHeartRadio e a SiriusXM, com o objetivo de fechar acordos semelhantes e, desse modo, construir um catálogo de podcasts mais robusto para os seus utilizadores.

Netflix e podcasts: mais minutos do seu tempo livre

De acordo com uma fonte próxima do processo citada pelo The Wrap, a lógica por detrás desta aposta é simples: se os utilizadores já dedicam horas a ver filmes e séries, a Netflix quer aproveitar também o tempo “fora do ecrã” para aumentar o envolvimento. Segundo a mesma fonte, a ambição passa por “ganhar o máximo possível” do tempo que as pessoas não estão a gastar na Netflix.

Na prática, a plataforma pretende que os assinantes usem a aplicação também para consumir podcasts vídeo, em vez de recorrerem a alternativas como o YouTube. E, ao que tudo indica, a abordagem poderá ser mesmo intensiva: além dos podcasts disponibilizados através do acordo com o Spotify, a Netflix poderá lançar 50 a 75 podcasts originais em 2026.

Com os podcasts vídeo, a Netflix teria a oportunidade de aumentar a publicidade graças a maiores níveis de engagement, ao mesmo tempo que capta um público potencialmente mais jovem e mais diverso. Há ainda uma vantagem económica: este tipo de formato tende a ser mais barato de produzir do que talk-shows tradicionais, apesar de ter ganho enorme tração - sobretudo nos Estados Unidos.

Um passo adicional relevante será perceber como a Netflix irá integrar estes conteúdos na experiência de utilização: recomendações, pesquisa, separadores dedicados e até páginas de programa poderão influenciar diretamente a descoberta e o tempo de consumo. Se a empresa apostar em clips, destaques e episódios em vídeo com forte componente visual, o consumo poderá aproximar-se do padrão das plataformas sociais, mas dentro de um ambiente controlado pela Netflix.

Resta também observar como serão geridos direitos, exclusividades e monetização, especialmente se avançarem acordos com grupos como iHeartRadio e SiriusXM. A forma como a Netflix equilibrar parcerias externas com podcasts originais, e como posicionará anúncios sem degradar a experiência, será determinante para que esta expansão para os podcasts se traduza em mais tempo de utilização - e não apenas em mais uma funcionalidade dentro da aplicação.

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